Os indicadores de RH direcionam decisões estratégicas e refletem diretamente a produtividade e a retenção de talentos. No entanto, segundo a pesquisa HR Innovation, apenas 8% das empresas avaliam todos os indicadores de RH em sua rotina, enquanto 38% consideram apenas o básico.
Mas é preciso ir além do básico – como NPS e turnover. Na prática, com as métricas certas, o RH estrutura contratações mais alinhadas com a cultura e objetivos da empresa, reduz a rotatividade e aumenta o engajamento das equipes. Empresas como o Google adotam essa abordagem há anos, consolidando um RH mais analítico e eficiente.
A diferença está em escolher os indicadores de RH que realmente fazem sentido para a sua empresa. A seguir, você verá quais métricas importam e como usá-las na gestão de pessoas. Vamos lá?
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Por que acompanhar os indicadores de RH certos?
Os indicadores de RH são um reflexo direto da qualidade da gestão e da conexão entre o RH e os objetivos organizacionais.
Segundo o livro Como o Google Trabalha (How Google Works), escrito por Eric Schmidt e Jonathan Rosenberg, uma das premissas da gestão da empresa é que decisões devem ser baseadas em dados, não em intuições. No Google, todas as escolhas estratégicas – desde contratações até promoções e estruturação de times – são fundamentadas em análises objetivas, como:
- Uso de People Analytics (modelo que usa dados para contratar, promover, reter e desenvolver colaboradores);
- Pesquisas internas, como Projeto Oxygen, para identificar quais características tornam um gestor eficiente, e o Projeto Aristóteles, que investigou quais fatores fazem uma equipe ter alta performance.
Por isso, ignorar os indicadores certos pode levar à tomada de decisões baseada em achismos, o que, como consequência, pode diminuir a eficiência da gestão de pessoas.
O Google transformou seu RH em um setor altamente analítico, e empresas que desejam atrair e reter talentos precisam adotar essa mesma abordagem orientada por dados.
Indicadores que realmente importam para um RH estratégico
Embora os indicadores de RH sejam tão importantes, um estudo da Deloitte aponta que 71% das organizações veem a análise de dados do setor como uma prioridade crítica, mas apenas 9% se sentem preparadas para usá-los de forma eficaz.
Ou seja, há uma lacuna entre reconhecer a importância dos dados e implementá-los de maneira estratégica. Portanto, escolher os indicadores certos é o primeiro passo para transformar o RH em um verdadeiro parceiro de negócios. É justamente o que listaremos a seguir.

Employee Value Delivered (EVD)
Falar em EVD é o mesmo que medir o valor que cada colaborador gera para a empresa em relação ao seu custo total. Nesse caso, não se limita apenas a avaliar o desempenho individual, mas também a analisar como as entregas contribuem para os objetivos organizacionais.
Para calcular, você pode seguir os passos:
- Identifique o custo total do colaborador (salário, benefícios, treinamento, etc.).
- Avalie as entregas mensuráveis (como metas atingidas, projetos concluídos ou receita gerada).
- Divida o valor gerado pelo custo total.
Por exemplo, se o custo de um colaborador é R$ 8.000/mês e ele entrega um retorno estimado de R$ 32.000, o EVD é 4. Ou seja, cada real investido gera um retorno de R$ 4. Em geral, um EVD maior que 1 indica que o colaborador gera mais valor do que consome.
Você pode encontrar esses dados financeiros e operacionais em ferramentas de Business Intelligence (BI) e facilitar a análise do EVD em diferentes departamentos.
OKRs (Objetivos e Resultados-Chave)
OKRs são uma metodologia de definição de metas que conecta iniciativas de RH aos objetivos estratégicos da empresa, com foco nos resultados mensuráveis.
Nesse contexto, para chegar a um resultado:
- Defina um objetivo: Exemplo, “Melhorar o engajamento e a percepção de valor dos colaboradores”.
- Estabeleça resultados-chave mensuráveis:
– Aumentar a taxa de satisfação dos colaboradores de 70% para 90% com brindes personalizados (medido por pesquisa interna).
– Garantir que pelo menos 85% dos colaboradores participem de eventos internos e programas de reconhecimento. - Monitore regularmente o progresso com reuniões de check-in.
Portanto, se o RH conseguir atingir essas metas, significa que os OKRs estão bem encaminhados, mas ainda há espaço para melhoria dependendo do resultado.
Headcount Qualitativo
Mais do que contabilizar o número de colaboradores, o headcount qualitativo mensura se as contratações atendem às necessidades estratégicas da empresa, como a compatibilidade com os objetivos de crescimento, a diversificação de competências e a capacidade de inovação.
Para chegar em um resultado, é preciso que você:
- Liste as posições estratégicas da empresa, como cargos de liderança, funções críticas para a operação e papéis essenciais para inovação, além das habilidades necessárias para cada uma delas.
- Avalie a adequação dos colaboradores nessas funções usando critérios como desempenho, competências técnicas e comportamentais.
- Calcule o índice de adequação: Número de posições estratégicas preenchidas corretamente / Total de posições estratégicas.
Assim, se a empresa precisa de 10 analistas de dados, mas apenas seis possuem as habilidades exigidas, o índice de adequação é 60%. O que esse número indica? Se a empresa exige um time altamente capacitado e apenas 60% dos profissionais atendem aos requisitos, pode haver falhas no recrutamento, na capacitação ou até mesmo na retenção de talentos.
No entanto, se a organização está em um setor em crescimento e investindo em desenvolvimento interno, esse índice pode ser aceitável, desde que haja um plano claro para qualificação dos colaboradores restantes.
Índice de Readiness
Meça o grau de preparação dos colaboradores para assumir novos desafios ou posições de liderança. É ideal para quando você não pretende contratar novos talentos e deseja oferecer oportunidades para os funcionários que estão prontos para crescer dentro da organização.
Para chegar à conclusão de qual colaborador está preparado:
- Liste as competências-chave para cada cargo estratégico, como habilidades técnicas específicas, liderança, resolução de problemas, adaptabilidade, pensamento estratégico, capacidade de inovação, etc.
- Avalie o nível de preparo dos colaboradores com base em treinamentos realizados, experiências anteriores e avaliações de desempenho.
- Calcule a porcentagem de colaboradores prontos para avançar: Número de colaboradores preparados para assumir novas funções / Total de colaboradores em cargos estratégicos.
Com base nisso, se 70% dos colaboradores em posições intermediárias já possuem as competências necessárias para uma promoção, o índice de readiness é 70% – isto é, há um bom pipeline de talentos internos.
O ideal é que você invista em programas de treinamento e desenvolvimento de liderança para aumentar o readiness geral da equipe.
Como implementar e monitorar esses indicadores no dia a dia
A análise de indicadores de RH não deve ser tratada como um processo isolado. Para que esses dados gerem impacto significativo, é necessário integrá-los à cultura organizacional e utilizá-los para tomar decisões no dia a dia.
Por isso, é importante ir além de como calcular esses indicadores de RH e saber implementá-los e monitorá-los:
- Utilize plataformas de People Analytics e sistemas de Business Intelligence (BI) para centralizar informações sobre desempenho dos colaboradores, engajamento, turnover, produtividade, entre outras, e otimizar a análise desses dados.
- Tenha como apoio algumas ferramentas de visualização de dados, como Power BI, Tableau ou Google Data Studio, para criar dashboards dinâmicos – gráficos e filtros interativos. Organize os indicadores de forma categorizada, priorizando métricas essenciais e facilitando comparações.
- Estabeleça revisões periódicas dos dados, seja semanal, quinzenal ou mensalmente.
- Capacite o time de RH para compreender os indicadores e conseguir elaborar estratégias eficazes com base neles.
Torne seu RH mais estratégico
Monitorar indicadores de RH não se limita apenas à coleta de dados, mas também a usar as informações coletadas para tomar as melhores decisões na empresa. Aquelas que usam métricas bem definidas, como as que trouxemos neste conteúdo, melhoram a retenção de talentos, otimizam contratações e fortalecem a cultura organizacional.
Ou seja, ao acompanhar os indicadores certos, o RH deixa de ser um setor operacional e passa a atuar como parceiro estratégico do negócio. No dia a dia, significa ter times mais bem preparados, maior engajamento e uma gestão de pessoas alinhada aos objetivos da empresa.
Agora que você conhece os principais indicadores, é hora de aplicá-los na rotina do seu RH!
Quais são os principais indicadores de RH?
Turnover, absenteísmo, engajamento, tempo médio de contratação e retenção de talentos.
Brindes corporativos influenciam algum desses indicadores?
Sim, impactam positivamente o engajamento e a retenção quando usados em ações como onboarding e reconhecimento.
Como os dados de RH podem orientar estratégias de endomarketing com brindes?
Identificando pontos de melhoria no clima organizacional e definindo ações personalizadas para diferentes perfis de colaboradores.






